Aug
20
2009
12

Voluntários a postos para mobilização pelo clima

O Greenpeace tem hoje 8 grupos de voluntários no Brasil: São Paulo, Rio, Porto Alegre, Brasília, BH, Salvador, Recife e Manaus. São quase 300 pessoas, que doam tempo e dedicação ao Greenpeace e ao planeta.

Nos últimos 10 dias, visitei quase todos os grupos fazendo uma rodada de treinamento para as atividades de mobilização pública sobre mudanças climáticas que vão acontecer agora no segundo semestre.

Os treinamentos não foram fáceis. Duravam em média 3hs em cada cidade e os horários nem sempre garantiam mentes descansadas (muitos aconteceram à noite, depois do expediente normal de trabalho dos voluntários). Isso sem contar as condições nem sempre favoráveis: sala lotadíssima em São Paulo, frio e chuva torrencial em Porto Alegre, ventania que derrubava o telão em Recife…

Mas, mesmo com tudo isso, os treinamentos valeram pra preparar os voluntários para o que vem pela frente.

A verdade é que todos nós - seja no escritório do Greenpeace, seja nos grupos de voluntários espalhados pelo Brasil – temos uma tarefa enorme pela frente. Desde quando entrei pro Greenpeace, em 2002, nunca vi um momento tão crítico quanto o que estamos vivendo agora – a gravidade da situação do clima do planeta, a pasmaceira da população brasileira e a falta de compromisso dos governantes são de assustar até os mais zen… Como se não bastasse tudo isso, temos pouquíssimo tempo pra tentar fazer alguma diferença nisso tudo. A reunião de Copenhagen está logo ali, dobrando a esquina…

Mas, apesar de tudo, acho que desde quando entrei pro Greenpeace nunca vi tanta força nos grupos de voluntários. Gente de todas as tribos, todas as idades, que trabalha, estuda, cuida de família, faz mil coisas… e ainda arranja tempo pra ir me ouvir falar por três intermináveis horas sobre mudanças do clima e planos mirabolantes pra salvar o nosso futuro. E que vai arranjar tempo pra colocar esses planos mirabolantes em prática nos próximos meses.

A partir do dia 29 de agosto, quando faltarão apenas 100 dias para o início da 15ª Conferência do Clima, em Copenhagen, os quase 300 voluntários do Greenpeace vão às ruas nas 8 cidades para falar sobre mudanças do clima com a população.

Serão várias atividades até dezembro, então não deixe de ficar de olho aqui no blog e no site do Greenpeace, porque o calendário dos grupos vai ser sempre divulgado por aqui. E a idéia é que mais gente se junte aos nossos voluntários. Porque não dá mais tempo pra ficar sentado no sofá, esperando as mudanças do mundo caírem do céu.


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Postado por Gabriela Vuolo em: Clima Tags: , , , , | 12 Comentários
Aug
11
2009
4

O clima, a enrolação e a pressão

Chegamos cedo ao centro de convenções. Afinal, são somente 5 dias para negociar um texto totalmente impossível de se entender. 199 páginas de colchetes, aspas, itálico e propostas.

Quer dizer, 4 dias, porque o primeiro já passou e foi, infelizmente, desperdiçado.

Mas imagino que agora já deu tempo de todo mundo se re-encontrar, dizer como foram as férias e voltar ao trabalho.

Ou não!

Permitam-me. Em um dos grupos de negociação, o AWG-LCA, que trata dos compromissos de longo prazo, os negociadores trabalham com cinco grandes temas - vários sub-temas - e um só texto. Este texto tinha 50 páginas - uma quantidade razoável - há um mês atrás.

Acontece que na última reunião todos os países tiveram permissão para incluir as suas idéias, para cada um dos tópicos e sub-tópicos. Então agora tem de tudo por ali… NAMAs, MRV, Comparabilidade, REDD, REDD+, Adaptação, Visão compartilhada, Transferência de Tecnologia, PI, Financiamento, Metas, QELROs, QERCLs… porque cada país acrescentou ali o seu plano perfeito. Para cada um dos ítens, ou em conjunto, ou aleatoriamente.

Resultado.. 199 páginas de um texto impossível de negociar. Então, pergunta-se… O que estão fazendo estas duas mil pessoas em Bonn? Transmitindo gripe suína uns para os outros? Não!!! Discutindo eficientemente e com o devido senso de urgência o tratado de clima que pretende salvar o planeta??? Também não!!!  Estão negociando como vão negociar as negociações. Sério.

Por exemplo. Entra-se na plenária. Todo mundo sentadinho na frente da plaquinha dos seus países. 170 países. O “presidente” da mesa começa a falar que é imprescindível que os países reduzam o texto para algo “trabalhavel”. Os grupos (G77, União Européia, Pequenas Ilhas, Países menos desenvolvidos, etc..) pedem a palavra.

- Obrigado sr. presidente. Em nome do xxxx, gostaria de me associar ao que foi colocado pelo grupo yyyy. Meu país considera que para uma negociação mais efetiva, é imprescindível que possamos seguir á risca aquilo que foi colocado no Plano de Ação de Bali, deixando claro que estamos aqui para cumprir o mandato e permitir a implementação da convenção. De acordo com o artigo 3, blá blá blá bla, e por isso achamos que devemos trabalhar o texto da maneira adequada para podermos continuar com as negociações….

Não sei se é ingenuidade minha, mas eles passaram 4 horas falando isso, com variações - algumas significantes - mas que não conduziram a nenhuma mudança, nem uma vírgula, no texto maluco. A Austrália ainda teve a pachorra de dizer que não vê problema nenhum no texto (claro, querem enrolar o máximo que der… são um dos maiores exportadores de carvão do mundo…)

Resumindo e repetindo o que já disse. Eles estão negociando como vão negociar as negociações. Isso já faz algum tempo e é um pouco desesperador, porque apesar de haver dez significados em cada palavra dos negociadores - o que torna o processo interessante - parece que todos se esqueceram que as mudanças do clima já são uma realidade para milhões de pessoas.

Ai chega em Copenhagen e na última hora fazem um acordo meia boca, que dá um pouquinho para cada um, nada para o clima, e a maioria ainda comemora e diz que eles “salvaram o planeta”.

Mentira.. Porque nós não vamos deixar isso acontecer. Ah, não vamos mesmo! Porque você vai nos ajudar a botar pressão e fazer com que em Copenhagen seja negociado um acordo efetivo, justo e ambicioso, que vai realmente salvar o clima do planeta.

Em 29 de agosto faltarão apenas 100 dias para Copenhagen. Recomendo que prestem atenção no site do Greenpeace.

A pressão está apenas começando.


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Jun
23
2009
3

Ciência não se muda. Política, sim.

Para aqueles que ainda acham que aquecimento global e mudanças climáticas são “papinho de ambientalista”, o relatório lançado ontem pela Aliança iInternacional de Universidades é um banho de realidade. O documento é fruto do trabalho de mais de 2500 pesquisadores, economistas e sociólogos, das melhores universidades do planeta, representando 80 países que participaram de um encontro científico em Copenhagen, no mês de março.

Uma das principais conclusões é que várias mudanças estão acontecendo mais rápido do previso em 2007. Por exemplo, o aumento do nível do mar deve ser duas vezes maior que as previsões de dois anos atrás!

O documento também relevela que qualquer aquecimento causado agora sera irreversível por pelo menos CEM MIL ANOS!!! Isso porque os cientistas descobriram que o carbono permanece na atmosfera por muito mais tempo do que se imaginava, mantendo a Terra aquecida.

Quer dizer, nossa ações de hoje afetarão vida não só da próxima geração, mas das próximas 40 gerações!

Boas novas

Apesar das más notícias, o relatório diz que ainda temos como evitar as maiores catastrofes se impedirmos que o aumento da temperatura média da Terra não ultrapasse os 2ºC.

O estudo diz que isso é tecnicamente, cientificamente, economicamente e socialmente viável. E melhor: combater as mudanças climáticas traz benefícios como a criação de milhares de empregos, redução de custos com saúde e infra-estrutura e permitem a manutenção e reparação de ecossistemas e seus indispensáveis serviços ambientais.

Por que não fazemos ?

Porque quando a bola é passada para os politicos, ela fica quadrada. Alguns interesses particulares são defendidos com muito mais afinco do que a sobrevivência do coletivo. O mesmo coletivo que tem o poder de eleger os politicos. Opa… E não que o coletivo tem o poder!

As manifestações populares causaram o fim de governos autoritários na Europa, libertaram nações, acabaram com o Apartheid na África do Sul, ampliaram o direito de voto às mulheres, derrubaram o muro de Berlim, o Collor, a ditadura militar…

Nós temos o poder em nossas mãos. Temos as ferramentas, os motivos e necessidade. Nós temos que mudar esse jogo, pressionar os politicos a deixarem a bola redondinha e colocar em prática aquilo que a ciência diz. É hora de dar as caras, voltar pra rua, fazer barulho.

A ciência nós não podemos mudar. A política e o aquecimento global, sim.

Veja a íntegra do estudo, em inglês: http://www.realclimate.org/index.php?p=690


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